Por: Sebastião "Karburê" de Arruda Neto
A ODISSÉIA PARA A CONCLUSÃO DO CENTRO CULTURAL.
Antes de 1999, a cultura em Mogi Guaçu era feita e organizada “nas ruas” em salas emprestadas de clubes, entidades e associações. Até 1998, as pessoas que faziam cultura na cidade andavam de porta em porta pedindo um espaço para eles. Lembro-me muito bem que um grupo de pessoas ligadas à cultura pedia ao prefeito naquele tempo ajuda para a obtenção de um local para elas praticarem suas artes e sempre ouviam a seguinte frase: “Pode deixar. Veremos o que podemos fazer”. Depois de esperar e esperar sem que nada acontecesse, essas pessoas foram à Câmara Municipal e também ouviram a mesma frase. Diante da demora apareceu um empresário dizendo que tinha empresas para executar a obra para a Cultura. Mas ele se tornou um blefe e, com isso, o tempo foi passando.
Então, políticos da cidade trouxeram secretários do Estado para que os mesmos terminassem o já então “famoso” Centro Cultural (obra suntuosa iniciada em meados dos anos 80 e que foi abandonada por causa do uso da verba destinada a ela ter sido empregada em outra área “emergencial”). Esses secretários estiveram em Mogi Guaçu, apareceram nos jornais, falaram , falaram, olharam, fotografaram e foram embora. Nem é preciso falar que nada aconteceu e que tudo, novamente, ficou no campo das promessas vazias. A partir disso, a cada convite de reunião para a exposição de uma nova idéia para o reaproveitamento do Centro Cultural ou para a criação de um espaço para a cultura guaçuana, os artistas, já bastante incrédulos, sempre esperavam pelo que os políticos sempre dizem: “Olha agora nos vamos resolver”. Sem, contudo, dizerem como e quando?
Neste vai-não-vai, surgiu outra vez mais um das inúmeras idéias brilhantes que apareciam naquele tempo; a Prefeitura iria doar todo o “Elefante Branco” (que era como passou a ser chamado o Centro Cultural, depois que foi abandonado) para o SESC (Serviço Social do Comércio). A possibilidade não agradou aos artistas, diante da possibilidade do Município dar de graça uma obra tão suntuosa para uma entidade do porte da SESC. A cúpula do SESC se dirigiu a Mogi Guaçu. Os visitantes da Capital olharam, tiraram fotos, falaram, falaram, saíram no jornal, e...foram embora. Surpreendentemente, não encamparam o projeto. Nem de graça o SESC quis a obra quase pronta com terreno e tudo.
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